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6 inventores que não eram musicos mas mudaram a história da música

Blog do Music Jungle

Por Equipe Music Jungle em 31 de Outubro de 2017

Muitos instrumentos musicas que nós vemos por aí tem um nome estampado em sua madeira. É só pensarmos um pouco que vários nomes já surgem, entre eles estão Taylor, Fender, PRS, Gibson, Gretsch e outros. Nós sabemos que Bob Taylor e Paul Reed Smith tocavam guitarra, também existem evidências que Orville Gibson era um músico renomado, que tocava guitarra de canhoto, nos anos 1890. Mas tocar algo não é uma regra para todos os empreendedores que tem seus nomes estampados em alguns instrumentos.

Na verdade, alguns dos maiores inovadores da indústria dos instrumentos musicais estavam longe de serem músicos. Levados pelo amor, artesãos e engenheiros vestiram a roupa de Luthier e conseguiram entregar aquilo que nós precisávamos.

Este artigo explora a história de seis dessas pessoas que estavam longe de ter alguma inclinação musical, mas que mesmo assim causaram um grande impacto na indústria de instrumentos.

C.F. Martin Sr.

Por seis gerações os membros da família Martin estão administrando a Martin Guitars Company, a empresa possui em seu catálogo alguns dos melhores violões do mundo. Esse legado começou com Christian Frederick Martin Sr nascido em 1796 ele continuou o trabalho de uma longa linhagem de marceneiros.

Influenciado por seu pai Christian começou a ficar fascinado pela construção de violões na sua adolescência. Na Alemanha, o violino e violoncelos eram os instrumentos mais populares da época, sendo assim o garoto de 15 anos teve que mudar para Viena para aprender a construir violões com um dos melhores Luthiers da época, Johann Stauffer.

Depois de muito tempo Martin mudou-se para os Estados Unidos pois achava que na América poderia vender mais instrumentos. Em 1833, na cidade de Nova York ele abre sua primeira loja de violões. Cinco anos depois ele compra um terreno em Nazareth, Pensilvania e constrói a primeira fábrica da Martin Guitarra Factory.

Quando perguntaram para Dick Boak, Diretor do Museu de Arquivos da Martin e Companhia, sobre as habilidades musicais de Martin ele respondeu; “Eu suspeito que C.F. Martin Sr sabia como um violão funcionava, conseguia tocar alguns acordes básicos e sabia afinar um instrumento, o que é mais do que o necessário para qualquer Luthier”.

Dick Boak também relata que era Ottilia, a esposa de Martin, tinha todo o talento musical da família. Ela era um excelente musicista, que sabia tocar violão e harpa.

Laurens Hammond

O homem que construiu o mundialmente famoso piano Hammond nunca tocou um instrumento, mas Laurens Hammond balanceava a sua falta de habilidade musical com seus conhecimentos em engenharia, já que ele é tido como um dos maiores engenheiros dos século 20.

Hammond tinha apenas 16 anos quando ele recebeu sua primeira patente em 1911 para um design melhorado de um barômetro. Depois de se formar na Cornell University em mecânica e engenharia, ele iria trabalhar projetando algumas peças para a marinha.

O menino encontrou seu primeiro sucesso quando inventou um motor elétrico para relógio melhorado, essa invenção deu início a Hammond Clock Company em 1928. Mas no meio de 1930, ele precisava de uma nova invenção para que essa empresa não entrasse em falência.

A imaginação de Hammond, junto com seu amor pelos órgãos de igreja e sua necessidade para encontrar um novo propósito para o seu motor de relógio eletrônico se alinharam perfeitamente quando ele finalmente inventou seu órgão elétrico.

Mas Hammond não conseguia tocar o instrumento, foi então que ele rodeou por diversos empregados que tinham um alto nível de conhecimento musical, esses que o ajudam muito a revisar a sua invenção. O primeiro órgão elétrico foi construído em 1935 e vendido para o lendário compositor de Jazz, George Gershwin.

Fred Gretsch jr.

O Homem que liderou a Gretsch Company por 47 anos em que a empresa teve diversos avanços em inovação e tecnologia não tinha nenhuma aptidão para a música.

Fred Gretsch tinha apenas 15 anos quando herdou uma pequena loja de música que pertencia à sua família no Brooklyn. Seu pai, Friedrich, tinha começado esse negócio em 1883 mas morreu inesperadamente durante uma visita a sua família na Alemanha.

O jovem e ambicioso conseguiu com sucesso crescer o negócio da família abrindo 10 novas lojas no ano de 1916. Em 1920 a Gretsch Company iria se tornar a maior produtora de instrumentos musicais em todos os Estados Unidos.

Sempre procurando formas de melhorar e inovar, Fred Gretsch desenvolveu uma revolucionária caixa de bateria. Essa invenção logo se tornou o padrão para toda a bateria e é utilizada até os dias de hoje.

Enquanto Fred estava liderando o negócio de instrumentos da família ele acabou se envolvendo com bancos. Em 1930, Gretsch foi nomeado Vice Presidente do Lincoln Savings Bank do Brooklyn, e depois de 47 anos como a cabeça da Gretsch Company, Fred se aposenta e deixa seu filho Fred Jr em seu lugar. Seu filho iria levar a empresa a sua era de ouro durante os anos 1950 e 1960.

Bob Moog

Quando criança, Bob Moog era forçado a ter aulas de piano pela sua mãe, uma professora desse instrumento. Mas ele sempre gostou mais das ferramentas do seu pai do que das aulas da mãe, e por muitas vezes ia até o porão consertar coisas ao invés de ir às aulas. O menino passou inúmeras horas com seu pai construindo rádios, amplificadores e até mesmo órgãos.

A vida de Moog iria mudar quando ele conheceu o Teremim, o primeiro instrumento musical electrónico. Ele ficou obcecado pelo aparelho e começou um pequeno negócio vendendo teremins e alguns aparelhos para o instrumento. Algum tempo depois ele se formou em engenharia elétrica e física.

Depois de se tornar amigo de Herb Deutsch, um famoso tocador de Teremim da época, ele construiu um sintetizador. A invenção de Moog foi conectar um teclado ao instrumento, inovação essa que mudou a indústria do áudio em 1964.

A segunda contribuição Moog vem no ano de 1971 com o lançamento do revolucionário Minimoog Model D. Um portátil que tinha 44 teclas e vinha com uma interface cheia de Knobs, o que ia completamente contra o que se estava fazendo na época.

Esse compacto e amigável instrumento foi um grande sucesso nos anos 1970 e 1980. Muitos músicos famosos utilizaram a invenção, entre eles Keith Emerson, Rick Wakeman, Steve Wonder e muitos outros.

Ele sempre dizia; “Músicos sempre vem com coisas que eu não poderia imaginar. Eu sou um engenheiro, e me considero um produtor e os músicos são os meus clientes, eles são aquilo que eu produzo”.

Joseph Rogers

O fundador por trás da Roger Drums não era nem um músico e muito menos um baterista. Ele fez o seu nome na indústria fazendo uma pele de pêlo de bezerro que possuía uma ótima qualidade.

Joseph Rogers aprendeu essa técnica na sua cidade natal, Dublin na Irlanda. Ele emigrou para os Estados Unidos em 1840 e abriu sua primeira loja de tecidos para instrumentos nove anos depois. Ele oferecia diversas peles em seu estabelecimento, essas que eram muito superiores às dos seus concorrentes, que não tinham a mesma durabilidade.

A fama dos produtos de Rogers se espalhou rapidamente, fazendo com que ele fosse o maior fornecedor de pele de bateria para o Union Army durante a guerra civil americana.

O filho de Rogers chamado Cleveland iria começar a produzir baterias no ano de 1930. Os instrumentos produzidos pela marca vieram a ser realmente notados depois dos anos 1953, quando a empresa foi vendida para uma grande companhia do ramo da música.

Leo Fender

Muitos já sabem que Clarence Leo Fender não conseguia tocar nem um pouco de suas maravilhosas guitarras elétricas. Mas poucas sabem que ele teve aulas de piano e saxofone, o que não era de muita ajuda, já que fender não tinha muita habilidade com os instrumentos.

Quando Fender tinha 14 anos começou a ficar fascinado pelas peças de rádio que seu tio desmontava. O rádio ainda era uma invenção muito nova nos anos 1920, e a alta qualidade de som ainda espantava muitos adolescentes. O menino aprendeu tudo que podia sobre as peças do equipamento e logo começou a consertar alguns rádios por diversão.

Fender se formou em contabilidade na faculdade em 1930 e seguiu essa carreira por quase uma década. Felizmente para o mundo da música, ele foi demitido diversas vezes durante a grande depressão e, muito frustrado, decidiu perseguir a sua paixão de adolescência, foi assim que começou a reparar amplificadores.

Pedindo um empréstimo de 600 dólares ele começou sua modesta Fender Radio Service em 1938 na cidade de Fullerton, Califórnia. Com um contato diário com os aparelhos elétricos dos amplificadores, Fender começou a estudar e a construir o seu próprio produto.

Leo viu que o verdadeiro negócio estava no instrumento que era amplificado, e não no amplificador. Foi então que ele inventou a guitarra Fender Havaí, mas esse instrumento ainda não era o ideal para Fender, que não parou de estudar novas possibilidades a fim de construir uma guitarra elétrica.

Na primavera de 1950 Fender mostrou ao mundo a Esquire, a primeira guitarra elétrica de corpo sólido comercialmente vendaval e produzida em grande escala do mundo. A Telecaster e Stratocaster logo seriam introduzidas ao Hall da fama de Fender. Era questão de tempo para que a revolucionária invenção de Leo Fender conquistasse os corações e mudasse a história dos instrumentos musicais e da cultura pop.

Mesmo não sendo músico, Leo Fender foi incluído no Hall da Fama do Rock em 1992. Quando os Rolling Stones foram lançados em 1989, Keith Richards honrou Fender dizendo; “Muito obrigado a Leo Fender, que fez instrumentos para nós podermos tocar”.

 


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