Da fita ao digital: Qual o delay ideal para você?

Blog do Music Jungle

Por Equipe Music Jungle em 30 de Dezembro de 2016

Como diz o ditado, delay é igual sal: se você passar do ponto, ele estraga tudo.

Por isso, é bom entender um pouco antes de se aventurar pelas terras da repetição.

 

 

Se você, como eu, está sempre mexendo no pedalboard, trocando um pedal aqui, outro alí, já deve ter testado alguns tipos diferentes de delays. Depois de muita troca, o meu set fechou com um Disaster Transport Jr., um delay analógico anti-modernista, com um "Q" de Echoplex. Mas a estrada foi longa, testei de tudo: tape echo, delay digital, delay com vários presets... e gastei muito dinheiro para conhecer cada um deles. Essas caixinhas viciantes criam aquele efeito de eco que crescemos escutando desde Another Brick in The Wall até Where the Streets Have No Name.

Desde criar uma textura extra, até criar a ilusão de que há outro guitarrista tocando com você, um bom delay pode adicionar uma nova dimensão ao som.

 

Mas, como escolher o delay certo?

 

 

Alguns guitarristas levam o delay analógico como se fosse uma religião, não aceitam outra coisa. Outros precisam da precisam de um delay digital. Talvez você já tenha até visto aqueles delays de fita trambolhões, que parecem uma lancheira de criança do primário e custam os olhos da cara. Os fabricantes estão lançando cada hora uma coisa nova e com muitas opções fica difícil mesmo escolher.

 

Nesse artigo, vamos dar uma olhada nas diferentes opções e escutar algumas demontrações. Mas lembre-se: não existe um delay que é melhor que todos os outros. É uma questão de gosto...

 

O delay de fita (Tape Delay)

Para contar um pouco sobre a história, começamos com o delay de fita, que foi desenvolvido no começo dos anos 1950 com uma ajuda de um cara muito conhecido: o próprio, Les Paul. Um delay de fita é exatamente o que o nome fala: um delay que produz o efeito a partir de uma fita.

 

Uma fita grava o seu sinal de guitarra por um tempo e então automaticamente reproduz ele de novo, criando o efeito de eco. Pelo delay de fita ter uma construção não tão robusta, ter várias partes móveis e necessitar de uma fita de verdade, ele não é o delay ideal para você jogar no seu pedalboard e carregar por aí. Por isso, geralmente são usados mais em estúdios, para dar aquele ar vintage à gravação.

 

Eu, em particular, tenho o sonho de consumo de ter um desses para deixar em casa, ligar de vez em quando e fingir que sou David Gilmour nas ruínas de Pompeii. Mas... como precisava de algo prático, pra jogar por aí, o tape ficou para uma próxima.

 

Analógico vs. Digital

Os principais tipos de delay no mercado são os delays analógicos e os digitais. Os dois geralmente são construidos no formato compacto que conhecemos, da latinha de metal, mas possuem diferenças fundamentais.

 

Analógico

 Delays analógicos têm sido muito populares desde os anos 70 e funcionam com um microchip que foi desenvolvido pela Panasonic. O famoso chip "Bucket Brigade" joga o som original da guitarra de volta ao sinal em intervalos de tempo definidos na programação do chip. Como não há nada no circuito que preserva a fidelidade dos ecos, o som vai se degradando a cada repetição.

 

O resultado é bastante natural, que lembra muito o efeito de um eco de verdade, que vai perdendo a fidelidade até chegar aos seus ouvidos. Muitos guitarristas acham que o timbre quente que é produzido pelos delays analógicos é superior ao som dos delays digitais, mas toda moeda tem dois lados. Por ser um circuito bastante simples, os delays analógicos têm tempos de delay muito mais curtos do que dos digitais, além de haver muito menos flexibilidade em criar novos padrões e efeitos de com o pedal.

 

No meu caso, gosto das coisas simples. Não queria um delay com mil acrobacias. Além disso, tenho uma queda por sons vintage, por isso a escolha pelo analógico foi bastante natural.

 

 

Digital

O delay digital, por outro lado, pega o sinal da sua guitarra e converte em zeros e uns, criando uma réplica exata de cada nota.

Os ecos soam muito precisos, mas tendem a não ter um timbre muito natural. Mas isso não quer dizer que os delays digitais não têm suas vantagens. Se você prefere os tempos de delay mais longos (ecos que duram alguns segundos), o digital é provalvelmente o que você deve escolher, já que existem delays que oferecem tempos de eco acima de um minuto.

 

Outra vantagem do delay digital é criar padrões rítmicos com o delay. Alguns pedais como o TC Eletronics Nova Delay te deixam configurar os ecos como notas, assim você consegue atingir um ritmo no eco que se encaixa na música que você estiver tocando.

 

TC Eletronics Nova Delay - Delay Digital

 

Um grande exemplo do uso de delays digitais para a criação de padrões ritmicos é a música "Where the streets have no name", do U2. Aquele efeito ritmico não teria sido possível com as limitações do delay analógico.

 

Delay digital na música "Where the Streets Have no Name"

 

Delays digitais costumam ser mais baratos, mas com o aumento de popularidade dos delays analógicos, os fabricantes estão começando a desenvolver pedais de delay analógico cada vez mais baratos com sons impressionantes. O Carbon Copy da MXR, por exemplo, é um ótimo delay analógico, que você pode comprar sem comprometer o leite das crianças.

 

Carbon Copy da MXR

Os efeitos de delay, sejam analógicos ou digitais, podem ser bem diferentes. Por conta disso, pode ser bacana ter mais de um delay no set. Depois de muita procura, encontrei meu delay preferido. Mas deixando aqui os meus 2 centavos, minha dica seria ter dois delays diferentes: um analógico e um digital. Minha sugestão seria um Electro Harmonix Deluxe Memory Man (analógico) e o TC Eletronics Memory Man (digital).

 

Gosto muito do Memory Man Deluxe para analógico e do Nova Delay para digital. Como os dois são muito diferentes, penso neles como dois pedais com efeitos totalmente separados. Um me da um som vintage, quente, e o outro um som limpo e preciso.

Memory Man da Eletro Harmonix

 

Mas, como todo instrumento, não existe um pedal melhor que o outro. Tudo questão de gosto. O que realmente importa é o que te ajuda a chegar no seu som, na sua voz com o instrumento. Saber mais sobre as possibilidades nos ajuda (e muito!) a chegar mais rápido no timbre que sonhamos.

 

Curtiu o texto e a busca pelo timbre perfeito? Assine nossa newsletter e fique por dentro dos próximos posts!

 

Felipe Pierro

Guitarrista e fundador do Music Jungle.

Instagram: @f_pierro

 

{{anuncio.titulo}}
Frete Grátis

Comentários

Este post ainda não tem comentários... Que tal ser o primeiro?